Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.
VOLTAR
FECHAR

Rua Domingos Martins, 400 - Centro - Canoas/RS - CEP: 92010-170
Fones: (51) 3462.7000 - Fax: (51) 3462.7007

XYZ
Cinema

Por que Blade Runner 2049 não entusiasma

Continuação do cult movie de 1982 hesita entre citações ao anterior e uma trama própria
08/10/2017 18:10 10/10/2017 17:16

ALERTA DE SPOILER. ESTA RESENHA TRAZ DETALHES SOBRE A HISTÓRIA DO FILME QUE TALVEZ VOCÊ PREFIRA NÃO CONHECER POR ANTECIPAÇÃO. LEIA POR SUA CONTA E RISCO.

Divulgação
Ryan Gosling, em cena de Blade Runner 2049
Vi Blade Runner no cinema com 13 anos. A censura (na época a classificação etária se chamava assim) era 18, por isso precisei convencer meu pai a me levar. O filme não foi propriamente um blockbuster, ou seja, não faturou bilhões, mas foi o que se chamava de cult movie. Era venerado. Na faculdade, anos mais tarde, conheci um colega que havia assistido Blade Runner 14 vezes. A história do caçador de androides marcou os anos 80 e, dá para dizer, toda uma geração. Para muitos, como eu, está ligada à própria memória afetiva.

As versões do diretor Ridley Scott para Blade Runner (foi mais de uma), lançadas bem depois, agradaram críticos mas tiravam parte do charme do original. Aí, é claro, fui ver a continuação Blade Runner 2049 de má vontade, pronto para detestar. O maior mérito do filme dirigido por Denis Villeneuve (de A Chegada) é que não odiei.

Justiça seja feita, o filme não é ruim. A fotografia é ótima, sem tentar imitar a produção anterior. Há bons atores, estilo, uma história nova, modernismos interessantes e algumas surpresas.

Só que nada disso entusiasma.

A trama acompanha K (Ryan Gosling), um blade runner que elimina replicantes (androides) renegados, sendo ele mesmo um organismo sintético (o filme diz isso nos primeiros 5 minutos). Mas uma missão o coloca às voltas com um caso antigo, que envolve segredos perigosos e afeta até sua própria paz de espírito. Entre outras coisas, ele terá que encontrar Rick Deckard (Harrison Ford), que se escondeu.

Blade Runner 2049 lembra outras duas continuações/retomadas de ficções científicas clássicas, Tron: O Legado e o recente Star Wars: Rogue One. Todos são produções que usam pesadamente elementos de histórias anteriores, quase como bengalas, ao mesmo tempo que tentam introduzir elementos novos, mas que acabam sendo subtramas. Todos eles são histórias construídas principalmente como homenagens aos originais.

O filme em cartaz traz uma série de efeitos, alguns calculados para impressionar, como a namoradinha virtual vivida pela bela Ana de Armas. Porém, assim como os vilões encarnados por Jared Leto e Sylvia Hoeks, são boas ideias que acabam se perdendo pelo caminho. O filme traz vários bons momentos, mas nenhum influi na trama principal, que é composta de uma longa alternância entre visuais interessantes e personagens promissores, que no final não levam a quase nada. O final é anticlimático, e mesmo o anticlímax é anticlimático. Nada parece ir a lugar algum. Inclusive você, que com 163 minutos de projeção pode ficar bem caceteado.

Reprodução
Arte do cartaz do primeiro Blade Runner, ficção científica de 1982. Alusões ao cinema noir e à produção Metropolis, assim como o climão da música de Vangelis, estão quase ausentes na continuação Blade Runner 2049, embora o filme seja quase totalmente dependente da trama anterior
Blade Runner 2049 não é tão ruim quanto Prometheus, a frustrante continuação de Ridley Scott para seu clássico Alien, mas padece de alguns dos mesmos defeitos. Tem ideias demais e uma trama confusa que não chega a se fechar a contento. É possível, inclusive, que o mesmo estivesse próximo de acontecer com Blade Runner em 1982. O filme foi arrancado das mãos do diretor antes mesmo de concluídas as filmagens, e muito do que se assistiu no cinema foi acrescentado ou modificado por produtores e pós-roteiristas. As versões do diretor de Blade Runner tentavam resgatar a ideia original, mas só mostravam que o filme, no final das contas, ficou melhor após a mexida.

Blade Runner era um filme noir futurista. Uma história de detetives com androides e naves espaciais. O novo hesita entre ser um filme de estrada, uma distopia, uma ficção científica convencional e uma homenagem ao primeiro filme. Coisa demais rolando.

Alguns dos elogios propalados nestas últimas semanas não são cabíveis. O filme não está mais próximo da novela rica e complicada de Philip Dick do que a produção de 1982. Nem sequer chega a finalizar a proposta, só insinuada, de retomar ideias do roteiro original de Ridley Scott lá nos anos 80. No roteiro não filmado e nas versões do diretor, Deckard seria um replicante. Aqui, isto segue só insinuado. Pior ainda. A trama de Blade Runner 2049 também é uma sequência para o final feliz do filme de 82, que Scott sempre insistiu que havia sido enfiado no filme pelos produtores.

Apesar de bem recebido por parte da crítica, Blade Runner 2049 não parece estar indo bem nas bilheterias, tendo faturado apenas 36 milhões de dólares no final de semana de estreia (custou mais de 150). Um desempenho semelhante ao do primeiro filme, que nunca fez sucesso e demorou mesmo a se pagar.

Cheio de sutilezas e nuances, mas sem a simplicidade ou a elegância da primeira história, Blade Runner 2049 foi feito para ser esquecido. Como lágrimas na chuva, diria o personagem de Rutger Hauer. Que saudade.


Diário de Canoas

XYZ

por André Moraes
andre.moraes@gruposinos.com.br

Assim como na tradicional coluna semanal de variedades do jornal ABC Domingo, o XYZ fala de cinema, tevê, quadrinhos, nostalgia e assuntos da cultura pop em geral. Informação e curiosidades com um toque de humor.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Capa do dia

FOLHEIE O SEU JORNAL PREFERIDO NA TELA DO SEU COMPUTADOR.

ACESSE ASSINE AGORA
51 3600.3636
CENTRAL DO ASSINANTE

51 3591.2020
CENTRAL DE VENDAS DE ASSINATURAS