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Notícias | Região Cuidados

Tragédia com adolescentes reacende alerta para banho em áreas impróprias

Afogamentos deste final de semana levanta o alerta para a necessidade dos banhistas sempre procurarem por balneários seguros nos municípios da região

Por Susi Mello
Última atualização: 17.02.2020 às 20:42

Ecônomo conta que banhistas procuram locais profundos alegando que sabem nadar Foto: Inézio Machao/GES
A tragédia que comoveu a região no final de semana, com os dois adolescentes do bairro Santo Afonso, que morreram afogados no Rio dos Sinos, reacende o alerta dos cuidados que as pessoas devem ter ao se refrescar em rios, lagoas, barragens e cascatas.

Somente neste ano, de janeiro até segunda-feira (17), foram 11 afogamentos na região do 2º Batalhão do Corpo de Bombeiros, que abrange 38 cidades dos vales do Sinos e Paranhana. Desse montante, sete casos ocorreram em Novo Hamburgo, cinco em janeiro e dois em fevereiro. Os outros quatro foram em Igrejinha, Ivoti, Montenegro e Capela de Santana. Essa quantidade representa 61% dos afogamentos registrados em todo o ano passado: 18.

O ecônomo do Balneário Municipal Prainha Vitor Mateus Teixeira, Rubens Mastromoro, conhecido como "Paulista", conta que os bombeiros acessaram pelo balneário para a busca dos jovens do bairro Santo Afonso, mas os adolescentes não ingressaram por ali para banhar-se. O que ocorreu com os moradores do bairro Santo Afonso já foi vivenciado pelo ecônomo. Ele conta que, entre janeiro e fevereiro, três pessoas morreram afogadas no Rio dos Sinos. Do lado onde tem a estrutura do balneário para acampamento, com churrasqueiras e mesas, ele mostra o outro lado do rio. É de lá que a maioria dos banhistas acessa. "A realidade é que eles querem um lugar fundo para nadar. Eu até mostro onde tem lugar raso, mas há quem ache que estou brincando", lamenta Paulista, que não se arrisca a nadar no Rio dos Sinos. "Eu me cuido. Estou aqui para manter tudo limpo", acrescenta.

Impróprio para banho

Na segunda (17)pela manhã, a reportagem esteve no Rio dos Sinos, próximo da Casa das Bombas, onde Gustavo da Silva Silbershlach, 15 anos, e Alexandre dos Santos Langner, 17 anos, os jovens que se afogaram, foram encontrados. Dois moradores comentaram que é comum o pessoal banhar-se por ali. O Rio dos Sinos, explica o major Alexandre Sório Nunes, do 2º Batalhão do Corpo de bombeiros, não é próprio para banho. "As pessoas podem se contaminar com hepatite ou leptospirose, além de poder ficar à mercê de intoxicação por metais", diz. Além disso, não se sabe o que tem debaixo do rio, que tem o leito barrento. "A pessoa pode pegar um local mais profundo ou com remanso, onde a água faz o retorno e acaba puxando para baixo", alerta.

Evite tragédias

O major Alexandre Sório Nunes, do 2º Batalhão do Corpo de Bombeiros, destaca que as mudanças de um rio, por exemplo, podem vir com a chuva. "Uma pedra ou um galho de árvore podem passar por mudanças de posição. O que era ontem não é mais hoje. Por isso, é importante ficar atento", salienta. Por isso, ele faz algumas recomendações.

- Não nade em locais profundos. Lembre que o meio é a área mais profunda.

- A água deve estar no máximo na cintura.

- Lembre de perguntar qual o melhor lugar para o banho.

- Observe as sinalizações de perigo.

- Tome mais cuidado em locais onde há galhos e pedras.

- Se presenciar um afogamento, procure atirar uma corda ou um galho para puxar. Não entre para salvar o outro, porque a tendência é ser puxado para baixo pela pessoa que está se afogando.

- Deixe duas garrafas pet cheias de ar e fechadas. Elas podem servir de boia, ao amarrá-las na ponta de cordas.

- Evite álcool e alimentos pesados antes de entrar na água.

- Não superestime sua natação.

Ocorrências no ano passado

Em 2019, foram 18 mortes por afogamentos: quatro em Novo Hamburgo, quatro em São Leopoldo, dois em Taquara e uma em Campo Bom, Estância Velha, Sapucaia, Sapiranga, Parobé, Dois Irmãos, Montenegro e Lindolfo Collor. 

Para quem solicitar os guarda-vidas

Municípios que têm locais próprios para banhos devem solicitar guarda-vidas. Segundo o major Alexandre Sório Nunes, do 2º Batalhão do Corpo de Bombeiros, as prefeituras têm até outubro para solicitar à corporação guarda-vidas para a temporada de verão seguinte. Ele exemplifica que a praia da zona sul, em Porto Alegre, e em Tapes, nas praias balneáveis, há guarda-vidas. Locais de banho particulares devem contar com esse profissional. A Prefeitura de Novo Hamburgo informou que o local em que ocorreu o duplo afogamento no fim de semana é uma área particular e, por isso, a Administração não solicita guarda-vidas.

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