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Nova gasolina promete maior economia e rendimento aos motores, além de menores emissões

Com mais densidade e maior octanagem, nova formulação exigida pela Agência Nacional do Petróleo chega aos postos de combustíveis prometendo redução de até 6% no consumo

Por Adair Santos
Publicado em: 01.08.2020 às 05:00 Última atualização: 01.08.2020 às 10:12

Segunda-feira é o último prazo para as refinarias se adequarem às novas regras Foto: Inézio Machado/GES/Inezio Machado/GES
A nova gasolina que chega aos postos de combustíveis promete, numa tacada só, melhorar o rendimento do motor, aumentar a economia e reduzir as emissões ao meio ambiente. A novidade é fornecida há vários meses pela Petrobras aos distribuidores, responsáveis pela adição de etanol e pela entrega aos postos de combustíveis, que por sua vez vendem ao consumidor final. Salvo se houver estoques antigos, a estimativa da estatal é de que a maioria dos postos no País já dispõe da novidade. "A nova gasolina já está no carro dos brasileiros, reduzindo de 4% a 6% o consumo e conferindo melhor proteção aos motores", explica o especialista da Petrobras em Desenvolvimento de Novos Produtos, Rogério Gonçalves.

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Devido às crescentes reclamações pela qualidade da gasolina vendida no País, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou em janeiro as mudanças, por meio da resolução 807/20, que estabelece como prazo máximo 3 de agosto. Nesta data também começa a fiscalização pela ANP às empresas produtoras, como a própria Petrobras, que domina 90% do mercado no País. Trinta dias depois terá início a fiscalização em postos de combustíveis.

A ANP estabelece que a octanagem mínima de 92 pela metodologia RON, mais adequada às novas tecnologias de motores, que será utilizada em conjunto com a MON, já usada atualmente, como requisitos mínimos para aferição no Brasil. Mas como testes realizados nas refinarias identificaram que seria possível chegar facilmente a 93 octanas, a Petrobras antecipou-se em um ano e meio à segunda etapa da resolução, que entrará em vigor em janeiro de 2022.

Assim, a partir de 3 de agosto 100% da gasolina comum produzida nas suas refinarias terá octanagem mínima de 93. A de alta octanagem da Petrobras, a Podium, também vai melhorar, saltando das 97 octanas exigidas para 102, ultrapassando até a gasolina comum alemã, tida como uma das melhores do mundo, com 100 octanas. "A intenção da nova gasolina é frear as importações de produtos com baixa qualidade e aproximar o nosso combustível ao dos Estados Unidos e Europa", exemplifica Gonçalves.

Entre as principais mudanças estão a exigência de uma massa específica (densidade) mínima de 715 kg/m³. "Proporcionalmente, isso significa que um litro de gasolina deverá pesar 715 gramas. Antes não havia limite mínimo e há algum tempo, detectamos algumas gasolinas importadas com apenas 680 gramas por litro. Os motores a combustão interna dosam a gasolina injetada em termos de volume. Se tivermos um combustível com maior densidade, mais massa será injetada no mesmo volume. E mais massa significa mais energia, resultando em melhor desempenho", detalha Gonçalves.


Quais são os métodos de determinação da octanagem?

MON (Motor Octane Number) ou método Motor - ASTM D2700, que avalia a resistência da gasolina à detonação, na situação em que o motor está em plena carga e em alta rotação.

RON (Research Octane Number) ou método Pesquisa - ASTM D2699, que avalia a resistência da gasolina à detonação, na situação em que o motor está carregado e em baixa rotação (até 3000 rpm).

Índice Antidetonante (IAD): média dos dois métodos, que deixa de ser usada no País.

Shell diz que sua gasolina já atende às especificações

A gasolina comercializada nos 6,5 mil postos da bandeira Shell existentes em todo o Brasil já atendem há mais tempo às novas especificações da ANP, garante a Raízen, licenciada da marca no País. Também contatada pela reportagem, as distribuidoras Ipiranga e BR Distribuidora não confirmaram se já distribuem a nova gasolina.

As mudanças:

A nova especificação, oficialmente em vigor no dia 3 de agosto, traz algumas mudanças em relação à vigente atualmente no Brasil. Entre as principais inovações estão a exigência de uma massa específica (densidade) mínima de 715 kg/m³.

Hoje não há requisito de massa específica mínima para a gasolina vendida no Brasil. Outra alteração é a necessidade de octanagem mínima de 92 pela metodologia RON, mais adequada às novas tecnologias de motores introduzidas no País. Essa metodologia será utilizada em conjunto com a MON, já adotada atualmente. Outras particularidades da gasolina nacional não mudarão, como a porcentagem de etanol misturado, que foi mantido em 27% para a comum e aditivada e em 25% para a gasolina premium.

Comum:

é a mais barata vendida nos postos e adição de 27% de álcool anidro. Tem 87 octanas e será substituída pela nova formulação, com 93 octanas.

O que é octanagem?

É a capacidade que o combustível tem, em mistura com o ar, de resistir a altas temperaturas na câmara de combustão, sem sofrer detonação, também conhecida como batida de pino e que pode destruir o motor. Quanto maior a octanagem, maior será a resistência à detonação. O manual de cada veículo especifica o tipo de gasolina mais adequada. Gasolinas com octanagem maior poderão ser usada sem problemas.

Petrobras diz que eventual custo extra é compensado pelo maior rendimento

Que a nova gasolina traz benefícios aos motores, parece não haver dúvidas. Mas qual o custo extra para o bolso do motorista brasileiro? João Carlos Dal'Aqua, presidente do Sulpetro, sindicato que representa os postos de combustíveis no Estado, adianta que não há como prever qual o percentual de reajuste, pois os preços cobrados dependerão dos valores repassados pela Petrobras e pelas distribuidoras de combustíveis. "Cada posto é livre para praticar os preços de acordo com suas margens e estrutura de custos. O sindicato também não influencia no repasse ou não de reajustes e nem pode determinar valores no mercado", diz. Independentemente disso, a gasolina vendida a partir deste sábado já sofre reajuste no preço de pauta, autorizado pelo Ministério da Economia.

A Petrobras ressalva que o ganho de rendimento compensará uma eventual diferença financeira, pois será possível rodar mais quilômetros por litro. O preço é definido pela cotação no mercado internacional e outras variáveis como valor do barril do petróleo, frete e câmbio. Assim, esses fatores podem variar para cima ou para baixo e são mais influentes no preço do que o custo adicional de especificação. Além disso, a estatal é responsável por apenas 30% do preço final da gasolina nos postos de serviço. As demais parcelas são compostas por tributos, preço do etanol adicionado e margens das distribuidoras e revendedores.

Quanto à utilização, o presidente do Sulpetro sublinha que pode ser utilizada em qualquer modelo, seja com injeção eletrônica ou carburador. E não há necessidade de nenhum ajuste. "Outras particularidades da gasolina nacional não mudarão, como a porcentagem de etanol misturado, que foi mantido em 27% para as gasolinas comum e aditivada, e em 25% para a gasolina premium", destaca.

O presidente do Sulpetro aposta que a novidade vai sim reduzir as possibilidades de adulteração. "Ajudará na melhoria da qualidade, especialmente no caso da gasolina importada, que, muitas vezes, pode vir com uma especificação muito falha, podendo conter a adição de solventes ou outros componentes químicos que prejudiquem a sua composição", conclui.

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