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Opinião Gre-Nal 423

Qualquer um podia ter vencido, mas deu a experiência do Grêmio

Por Guilherme Schmidt
Última atualização: 15.02.2020 às 19:53

De um lado, um time bem modificado, até na forma de jogar, mas com um técnico experiente que conhece suas peças e possibilidades. Do outro, um time ainda em construção, com seu novo treinador testando jogadores que ele conhece há menos de dois meses, em busca de um modelo mais ofensivo. Em um Gre-Nal bastante disputado, o comum das equipes de Renato Portaluppi e Eduardo Coudet foram os muitos erros, principalmente forçados pela marcação forte de lado a lado. E no final das contas o que pesou foi a experiência, com Diego Souza fazendo valer o seu oportunismo, já nos acréscimos (46min do segundo tempo), com um gol de cabeça após cruzamento de Everton, o cara da seleção, que teve uma atuação mediana - apesar dos gols anulados. É claro que também pesou o fato de o Inter estar esgotado, após um segundo tempo intenso com um jogador a menos devido à expulsão de Musto no final do primeiro tempo.

O jogo

Sem a zaga titular, o Grêmio entrou em campo com algumas de suas novas peças - Vanderlei, Victor Ferraz, Lucas Silva e Diego Souza (depois, ainda, Caio Henrique e um ainda lento Thiago Neves também). Mostrou consistência defensiva e poder de ataque jogando nas costas da zaga colorada no primeiro tempo, mas caindo de produção no segundo, o que irritou Renato. E esta queda teve muito a ver com a mudança de postura colorada, com Coudet corrigindo um time que no primeiro tempo foi pouco criativo e ficou amarrado na marcação gremista. No segundo tempo o argentino organizou seu time, posicionando melhor Lindoso como primeiro volante, até liberando Cuesta para bancar o líbero em certos momentos, fazendo até lançamentos, e avançando mais com Edenilson, que teve várias chances na etapa final. Mas a ousadia teve um custo. Após o domínio na maior parte do segundo tempo, nos últimos dez minutos o time cansou e o Grêmio, que estava sonolento, passou a ter mais posse de bola e aí, em troca de passes como o Tricolor costuma fazer, acabou marcando. No desespero, no abafa, Guerrero - um craque apagado no clássico - quase marcou de cabeça para o Inter, mas aí, o ainda não afirmado goleiro Vanderlei, brilhou e teve sorte, defendendo no reflexo e tendo a ajuda do poste.

Os técnicos

Entre erros e acertos, os técnicos oscilaram. Renato brilhou no primeiro tempo, entrando com um time mais defensivo, é verdade, com três volantes, e apostando menos na posse de bola e mais na roubada e no erro adversário para chegar ao gol. Poderia ter feito a vantagem no primeiro tempo. Mas, tirando os gols anulados, faltou competência para Alisson e Diego Souza marcarem quando tiveram chance clara de gol. Já no segundo tempo não conseguiu fazer seu time aproveitar o jogador a mais. Tentou ir mais à frente com Thiago Neves e Pepê, mas não conseguiu o resultado. A entrada de Caio Henrique também não mudou muito, mas Cortez parece estar dando seu adeus à titularidade. De positivo, o Grêmio de Renato teve a vaga na final no primeiro turno e um jogo de recuperação - com Matheus Henrique mostrando o porquê de ser tão importante - após uma preocupante derrota para o Aimoré. Já são seis clássicos de invencibilidade tricolor.

Já Coudet empreendeu uma surpreendente troca da dupla de zaga Cuesta-Moledo por Cuesta-Fuchs, em busca de uma saída de bola mais refinada. Até buscou se impor no início, mas com erros de passes e sem conseguir furar o bloqueio tricolor, o time acabou inseguro, inconsistente. A expulsão de Musto parecia ser a sentença final. Mas, não. Coudet reorganizou o time e o colocou mais à frente. O resultado foi de que em 15 minutos de segundo tempo o time teve mais chances de gol do que em todo primeiro tempo, com Edenilson sendo essencial, mas sem Guerrero conseguir encaixar e o goleiro tricolor Vanderlei se destacando nas intervenções. Água mole em pedra dura, tanto bate até que ...bom, desta vez não furou. E o pior é que a pressão foi baixando e deu espaço para o gol fatal tricolor.

Finalizando

Agora, Renato tem que fazer valer esta vitória e garantir a taça do primeiro turno, pois se ela não vier, todo o planejamento será zerado. É o caso de Coudet, que vai ter que remar tudo de novo no segundo turno. Mas seu principal desafio é esquecer a derrota e se concentrar no Tolima para buscar a fase de grupos da Libertadores e a revanche nos Gre-Nais que poderão vir pela frente. Foi um grande Gre-Nal com dois técnicos que primam pelo bom futebol e estratégias para surpreender os adversários. Que venham mais clássicos com estes dois técnicos que prometem um ano empolgante para o futebol gaúcho.

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