Publicidade
Opinião Opinião

Não existem nós e eles

Por Cláudio Brito
Última atualização: 27.05.2020 às 12:00

O ministro Luís Roberto Barroso, ao tomar posse como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, fez um discurso impecável. Deu mesmo o recado que se podia esperar de quem assume a corte que vai presidir as eleições deste ano, em momento tão difícil da vida nacional, tendo na sequência que preparar e deixar encaminhado o pleito presidencial de 2022.

Quando as instituições estão cercadas por conflitos intermináveis, protagonizados por seus integrantes e chefes, foi muito bom ouvir de Barroso que "votar consciente é guardar o nome do seu representante, acompanhar seu desempenho e só renovar seu mandato se ele continuar merecedor de confiança. Numa democracia verdadeira, não existem nós e eles. Eles são aqueles que nós colocamos lá".

Depois de chamar assim a atenção de quem ainda pretende fomentar conflito e embate constantes, como se isso fosse o ideal da política, Barroso anunciou os eixos de sua gestão. Comprometeu-se a fomentar e criar as melhores condições para a participação da juventude na política, como destacou medidas que implementará para que se concretize com efetividade a presença das mulheres nas instâncias partidárias e nas listas de candidaturas que as convenções apontarão muito em breve. Haverá, por isso, uma grande campanha do TSE pelo voto consciente, atraindo jovens para o exercício político responsável e, como disse Barroso ao discursar: 

O empoderamento feminino exigirá que se possa atrair mulheres para a política e os postos-chave da vida nacional.

Sobre o calendário eleitoral, Barroso anunciou o entendimento de que o adiamento é muito provável, mas também assegurou que ninguém cogita prorrogar mandatos dos atuais prefeitos e vereadores. Isso também foi uma boa notícia, pois facilitará a definição, que virá com brevidade, uma vez que há assim uma sintonia com as propostas que já tramitam no Congresso Nacional.

Para quem estivesse querendo perguntar qual a visão do novo presidente da corte eleitoral sobre os limites que devem reger a relação entre Legislativo, Executivo e Judiciário e a partir dos atritos recentes pensar em esquentar um confronto que chegasse à comoção social, Barroso foi simples e direto, ao afirmar que o povo precisa mesmo de armas e que essas armas, em um modelo democrático, serão educação, cultura e ciência. Volto a dizer que o discurso de Barroso me entusiasmou.

As ideias do novo presidente do TSE demonstram seu espírito conciliatório e aglutinador, acrescentando ao tribunal total respeito à sociedade e obstinação em defesa da democracia.

 


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br
Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.