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Clássicos que nunca envelhecem

Coleção de carros do hamburguense Clódio Silva conta com exemplares raros que marcaram época

Por Adair Santos
Publicado em: 13.10.2021 às 06:00 Última atualização: 13.10.2021 às 15:07

Os clássicos são eternos, isso todos sabem. Mas como nasce uma coleção de veículos antigos? As histórias são sempre muito semelhantes. A do industrial hamburguense Clódio Silva, 66 anos, é idêntica à de muitos antigomobilistas. "Desde que me entendo por gente, sempre gostei de carro antigo, mas não tinha dinheiro para comprar", explica. Porém, na fase adulta veio a prosperidade financeira e, um a um, os modelos dos seus sonhos foram sendo adquiridos.

Em um dos galpões, Clódio Silva guarda parte de suas raridades, como exemplares de Simca, Landau e Santa Matilde
Em um dos galpões, Clódio Silva guarda parte de suas raridades, como exemplares de Simca, Landau e Santa Matilde Foto: Inezio Machado/GES

O primeiro veículo dele - um Fuscão 1500 azul pavão ano 1972 - foi presente do seu sogro. "Ele estava prestes a fazer um péssimo negócio com uma concessionária em Porto Alegre e praticamente iria perder o carro. Eu o ajudei e ele conseguiu comprar um outro modelo, de um patamar superior, e acabou sobrando o carro. Foi então que me disse: 'este Fusca é teu"', relembra. Desde então, a coleção só aumentou, recebendo modelos brasileiros e norte-americanos, como quatro exemplares do Chevrolet Bel Air: um 1951 conversível, dois exemplares quatro portas ano 1957 e um raro um quatro portas sem coluna, também ano 1957.

Os veículos estão distribuídos em duas grandes garagens e há um funcionário responsável por realizar a manutenção e também rodar com os veículos, para que fiquem sempre azeitados. No acervo também há modelos que marcaram a vida dos brasileiros no período em que as importações de veículos eram proibidas, como o Santa Matilde 1986, carro fora de série equipado com motor de Chevrolet Opala 4.1.

Landau e Land Rover

Clódio também tem um Ford Landau 1980, a picape Chevrolet C10 1974 e até um Land Rover 1952 série 1. Não faltam motos, como uma Vespa 1986 amarela, além de triciclos e até uma lancha 1949.

Se o normal é comprar, difícil mesmo é vender algum carro da coleção. "Em 30 anos só consegui me desfazer de dois veículos: uma Lambretta, que depois acabou voltando para a coleção, e um DKW Belcar. Não gosto de vender porque não sou negociante, para mim é um hobby", explica.

Expoclassic ocorre neste mês

Algumas dessas raridades estarão expostas na Expoclassic 2021, realizada pelo Veteran Car Club Novo Hamburgo, do qual Clódio inclusive é presidente. O evento ocorrerá novamente na Fenac, de 22 a 24 de outubro. Entre as novidades estão a exposição pelos 65 anos do Romi-Isetta e outra de caminhões Peter Bilt. O tradicional show da banda The Travellers também está confirmado.

Modelos da Simca são o xodó

Luxo a bordo e muito espaço para viajar com conforto
Luxo a bordo e muito espaço para viajar com conforto Foto: Inezio Machado/GES

Atualmente, os modelos Simca estão entre os xodós de Clódio. São três exemplares: um Tufão 1964 azul, um Esplanada 1969 verde e um Rallye 1964, em fase de restauração. "Sou conhecido no meio dos carros antigos por colecionar os Chevrolet Bel Air. E o Simca é impressionantemente parecido com o Bel Air", compara ele. O Simca, acrescenta, é um projeto da Ford norte-americana.

Foto por: Inezio Machado/GES
Descrição da foto: Exemplar em raro estado de conservação foi adquirido há um ano

Clódio lembra que o Simca Esplanada verde que ele tem foi produzido já na fase Chrysler, mas ainda montado na fábrica da Simca. O carro das fotos era de um colecionador de São Paulo e está em raro estado de conservação. Adquirido há um ano, tem pintura original. "O motor Hemi é um dos menores V8 já produzidos, pois tem 2.500 cm3, desenvolvendo 130 cv", revela. O propulsor está acoplado ao câmbio manual de 3 marchas. "O desempenho é excelente. Na época, só perdia para o FNM JK e era o rei das corridas, com sua conhecida suspensão macia e firme", conclui.

Pequeno valente: com apenas 2.3 l, V8 gera 130 cv
Pequeno valente: com apenas 2.3 l, V8 gera 130 cv Foto: Inezio Machado/GES

Simca foi criada pela Fiat em solo francês

A história da Simca (abreviatura de Société Industrielle Mécanique et Carrosserie Automobile) começa em 1934, quando foi criada pela Fiat na França. A intenção da montadora italiana era construir seus veículos na França sem as taxas de importação, primeiro sob a marca Simca-Fiat, entre 1935 e 1938, e posteriormente sob apenas Simca, a partir de 1939. Deu tão certo que, com o passar do tempo, a Simca tornou-se o terceiro maior fabricante de automóveis francês.

O Simca Aronde foi o primeiro modelo de desenho próprio, com proposta familiar de quatro lugares que competia com o Renault Dauphine. Após, foi lançado o Simca 1000, que rivalizava com o Renault 8.

Após a morte de Henri Théodore Pigozzi, a empresa foi gradualmente incorporada pela Chrysler até que, em 1970, tornou-se uma de suas subsidiárias. A extinção da marca ocorreu em 1980, quando as operações europeias da Chrysler foram vendidas ao grupo PSA Peugeot Citroën, que a substituiu pela Talbot. No entanto, ainda hoje a marca Simca faz parte do patrimônio da PSA Peugeot Citroën que, por sua vez, em janeiro deste ano aliou-se à Fiat Chrysler para formar a gigante Stellantis.

Até 1981 vários modelos Simca foram vendidos como Talbot-Simca, mas naquele ano o nome Simca foi definitivamente extinto. Em 1987, a Talbot também desapareceu e com ela os modelos que a Simca havia produzido.

História ligada à vida dos brasileiros

Ao País, a marca chegou em 5 de maio de 1958. A Simca do Brasil foi uma subsidiária brasileira da Simca francesa e construiu a sua fábrica de automóveis em São Bernardo do Campo, São Paulo.


O modelo básico produzido pela empresa a partir de 1959 foi o Simca Chambord, inspirado no Simca Vedette Chambord francês. O primeiro Chambord a sair da linha de produção foi oficialmente entregue ao presidente Juscelino Kubitschek no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.

No auge da produção (1964-1965), a empresa chegou a ter 2.300 funcionários. Em 1966, a Chrysler americana, proprietária da Simca francesa, assumiu o comando da filial brasileira. A marca Simca ainda foi mantida durante alguns meses, mas, a partir de agosto de 1967, a Simca do Brasil deixou de existir, dando lugar à Chrysler do Brasil.

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