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Decisão para 2022: parar de fumar

Prepare-se mentalmente para essa virada de chave, especialmente para os possíveis efeitos da abstinência, como ansiedade

Publicado em: 14.01.2022 às 06:00 Última atualização: 14.01.2022 às 10:00

Parar de fumar ocupa lugar de destaque entre as metas de saúde e bem-estar para 2022. O médico José Miguel Chatkin, da Oncoclínicas RS e Chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital São Lucas da PUCRS, destaca que os benefícios são muitos e trarão impactos positivos na qualidade de vida.

Tratamento do tabagismo cabe a um médico, pois inclui farmacoterapia e apoio cognitivo comportamental, diz médico
Tratamento do tabagismo cabe a um médico, pois inclui farmacoterapia e apoio cognitivo comportamental, diz médico Foto: Adobe Stock

Para o paciente oncológico, cessar o tabagismo representará redução de efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia, diminuição dos riscos de reincidência da doença e metástases.

E, se houver necessidade de cirurgia, as cicatrizações serão mais rápidas e com menor frequência de complicações, como sangramentos e necessidade de reintervenções na ferida operatória. A cessação do tabagismo é considerada, cada vez mais, um dos pilares fundamentais para que o doente oncológico possa obter melhores resultados em seu tratamento.

"Assim, com estratégias e técnicas adequadas, é possível parar de fumar, resultando em nítida melhoria da qualidade de vida, não só na perspectiva do câncer, mas também pelo encaminhamento de outras doenças relacionadas ao uso de tabaco, como as relacionadas ao coração (hipertensão, infarto) ao pulmão (enfisema, bronquites)", afirma.

Orientação profissional

É importante procurar ajuda especializada, pois não há necessidade de o paciente enfrentar o problema sozinho.

Sem ajuda profissional, a possibilidade de sucesso é muito baixa, apenas cerca de 4 a 6% das tentativas. É como se quisesse tratar uma pneumonia sem orientação profissional.

"O trabalho multidisciplinar de atendimento ao fumante deve começar por uma entrevista para entendimento da rotina e histórico de fumo", complementa. Chatkin salienta também que o tratamento do tabagismo cabe a um médico, pois inclui farmacoterapia e apoio cognitivo comportamental. No caso de pacientes oncológicos, em que será preciso lidar com os medos, culpas e outros sentimentos, a orientação é a de que o trabalho comece com o oncologista.

Outras orientações importantes

- Preparar-se mentalmente para essa virada de chave, especialmente para os possíveis efeitos da abstinência, como ansiedade, irritabilidade; essa síndrome pode ser manejada com auxílio do pneumologista; 

- Intensificar ou iniciar hábitos saudáveis que possam minimizar a ansiedade, como a prática de esportes ou hobbies de sua preferência; 

- Se não conseguir interromper repentinamente, pode-se programar a parada progressiva, estimulando redução de cigarros a cada dia ou a cada semana. Mas essa estratégia costuma a facilitar a recaída/fracasso, pois com a continuidade do uso pode aumentar o volume de cigarros consumidos; 

- Existem várias formas de tratamentos medicamentosos a serem prescritos pelo médico, que ajudam muito a tornar menos difícil esta jornada. O uso de adesivos e gomas de nicotina é indicado e pode ajudar no processo; a nicotina em si, apesar de ser a causadora do vício ou adição, não ocasiona problemas maiores. Os malefícios do tabagismo estão relacionados às mais de 7000 substâncias existentes na fumaça do cigarro, muitas de indubitável efeito relacionado ao câncer; 

- É preciso entender que a recaída não é uma questão de fracasso ou de fraqueza, mas sim faz parte de um ciclo de aprendizado dos motivos das recaídas, que culminará em sucesso. Vencer um vício de muitos anos pode não ser conseguido nas primeiras tentativas. A média de tentativas para parar de fumar é de seis a oito vezes.

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