Publicidade
Comprova

Cuidado com as mentiras que viralizaram sobre as vacinas

Desde que as vacinas contra a Covid-19 começaram a ter sua aplicação autorizada, parte expressiva da cobertura da imprensa tem se voltado ao tema. Paralelo ao trabalho que órgãos públicos e veículos de comunicação fazem de informar a população sobre o ritmo da imunização, chegada de novas doses e resultados da campanha, há gente que espalha boatos como se fossem verdade. E, infelizmente, isso causa dúvidas e receio em algumas pessoas, que até desistem de se vacinar.

As "invencionices" sobre as vacinas que viralizaram poderiam estar em filmes de ficção científica. Há desde o efeito magnético que elas provocam até mudanças no DNA do vacinado. Tudo mentira. O jornal ABC selecionou três dos absurdos que proliferaram pelas redes sociais e foram checados pelo projeto Comprova.

Fake News

O Comprova é uma coalizão de veículos de comunicação formada em 2018 para investigar de maneira colaborativa conteúdos suspeitos sobre as eleições presidenciais, que está em sua quarta fase agora. Esta etapa é dedicada a verificar conteúdos suspeitos sobre políticas públicas do governo federal e sobre a pandemia que se tornaram virais nas redes e aplicativos de mensagens. O Grupo Sinos se soma a outros 32 veículos de comunicação nesta nova fase.

O projeto conta com a colaboração do Facebook Journalism Project e Google News Initiative, que ajudam a financiar a iniciativa e dão suporte técnico e treinamento para as equipes envolvidas. 

Agências reguladoras negam risco de infertilidade de vacinados

Texto de um site afirma que um estudo realizado no Japão levantou preocupações sobre eventuais riscos reprodutivos que podem ser provocados pelas vacinas de mRNA, como as da Pfizer e Moderna. O texto do blog Estudos Nacionais recebeu 3,3 mil compartilhamentos e 3,3 mil reações no Facebook. Um tuíte com link para o texto recebeu 7,5 mil interações. Trata-se de uma mentira.

O Comprova checou e concluiu que é falso que um estudo da Pfizer aponte para risco de infertilidade em pessoas vacinadas. Essa alegação tira de contexto um dos estudos conduzidos pela farmacêutica para averiguar a segurança dos imunizantes. O conteúdo publica um link para um estudo com a inscrição "Pfizer confidencial". O estudo citado foi feito em ratos, não em humanos.

Ao Comprova, a Pfizer, que classificou o conteúdo verificado como desinformação, afirmou que "nenhuma evide?ncia de achados macrosco?picos ou microsco?picos relacionados a? vacina foi encontrada nos ova?rios nos estudos de toxicidade de dose repetida e nenhum efeito sobre a fertilidade foi identificado nas fases pre?-cli?nicas do desenvolvimento do produto, que foram avaliadas pelas diferentes age?ncias regulato?rias no mundo".

Além disso, órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Food and Drug Administration (FDA), autoridade sanitária dos Estados Unidos, e o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) do mesmo país, atestam a segurança dos imunizantes.

Vacina contra Covid não tem efeito magnético

Vídeo divulgado no Facebook mostra uma idosa, que afirma ter sido vacinada com a CoronaVac nos dois braços, grudando uma moeda no local onde supostamente teria recebido o imunizante. A suposição não é verdadeira.

O vídeo em questão acumulava até 14 de junho mais de 40 mil interações em um único post no Facebook, e já foi compartilhado diversas outras vezes em outras plataformas, como o Twitter, YouTube, Instagram e WhatsApp. Outros vídeos semelhantes, com as mesmas alegações, também se espalham por todas essas redes, inclusive em outros países, aumentando a desconfiança do público com as vacinas - apontadas por especialistas como a principal medida para solucionar a pandemia.

O Comprova checou e concluiu que é falso que a vacina contra o coronavírus seja capaz de magnetizar a pele no local da aplicação. Em vários outros experimentos também publicados na Internet, é possível ver que basta um pouco de umidade para que uma moeda, ímã ou qualquer objeto pequeno e leve fique grudado no braço de qualquer pessoa - tendo ela tomado ou não a vacina.

Segundo professores de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Fernando Kokobun e Fernando Lang da Silveira, que responderam ao boato, o efeito de adesão, propiciado por forças intermoleculares, é o responsável pelo truque. O princípio científico define a tendência que superfícies e partículas formadas por moléculas diferentes têm de "grudar" uma na outra. Além disso, o único metal presente na composição das vacinas - em dose baixíssima - é o hidróxido de alumínio, que não tem capacidade magnética nessa proporção.

Vacinas não são capazes de provocar danos genéticos

Vídeo publicado por deputado no Facebook no qual um médico afirma que as vacinas para a Covid-19 que utilizam as tecnologias de vetor viral, vacina de DNA e de RNA mensageiro podem provocar danos genéticos potenciais em quem se imunizar. Trata-se de outra mentira que circula pelas redes sociais.

Depois de apurar o caso, o Comprova concluiu que é falso que as vacinas contra a Covid-19 que utilizam como tecnologia vetor viral (adenovírus), vacina de DNA e vacina de RNA mensageiro possam provocar alterações genéticas ou câncer. Os imunizantes foram testados em conjunto por laboratórios e instituições de pesquisa de várias partes do mundo, com o aval de órgãos regulatórios de diferentes países.

Em entrevista ao Comprova, Rafael Dhalia, especialista em desenvolvimento de vacinas de DNA vírus pela Fiocruz, lembrou que a eficácia demonstrada nos testes por essas vacinas que utilizam as tecnologias adenovírus e RNA mensageiro, ambas citadas pelo médico no vídeo verificado pelo Comprova, é de 92 a 95%. E que elas não têm apresentado efeitos adversos graves.

Sobre as possíveis alterações genéticas, especialistas como o virologista Flávio Fonseca, da UFMG, atestam que não existem vacinas que tenham a capacidade de alterar o nosso material genético.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.