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Judoca Daniel Cargnin e o nadador Fernando Scheffer, de Canoas, conquistaram bronze na Olimpíada de Tóquio

Por Shállon Teobaldo
Publicado em: 01.08.2021 às 12:01 Última atualização: 01.08.2021 às 12:38

Foi em um apartamento no Bairro Rio Branco, em Canoas, que o medalhista olímpico Daniel Cargnin treinou seus primeiros golpes de judô aos oito anos de idade. As irmãs, Luana e Alessandra, eram as cobaias dos chutes ainda meio atrapalhados. “Era a maior gritaria, dizendo pro pai que ele estava nos batendo”, conta Luana.

Daniel Cargnin, da Sogipa Foto: José Méndez/EFE

Hoje, aos 23, foi coroado como o terceiro melhor judoca da categoria 66kg do mundo ao subir no pódio da Olimpíada de Tóquio para receber a medalha de bronze pela seleção brasileira. Tudo começou em uma academia canoense com o professor Sandro, como relembra o pai do atleta, Alécio da Rosa Cargnin.

“Ele fazia futebol na escolinha do Grêmio e paralelamente treinava judô na academia. Aos poucos, foi se destacando em competições de luta e aos 13 anos recebeu um convite para ir para a Sogipa, onde encontrou toda a estrutura que precisava para desenvolver a habilidade que ele tem”, ressalta.

Inspiração

Do outro lado do mundo, após muitos anos de treino e preparação, Cargnin realizou seu maior sonho. Nas redes sociais, definiu a vitória como o “maior momento da vida”. Para chegar lá, carregou em si as lembranças de seu ídolo e inspiração, o bicampeão e embaixador mundial de judô, João Derly.

“Eu lembro de ver a tua atenção e admiração enquanto eu te passava algumas instruções durante um treino. Eu me senti honrado com a maneira atenta em que tu absorvia cada uma das minhas palavras. Hoje, o meu olhar e a minha admiração se voltam pra ti. Quanto orgulho @dadscargnin em te ver lutando na categoria que por tantos anos eu defendi pelo Brasil. Quanto orgulho da tua garra, da tua determinação, da tua vontade de ganhar. Tu é gigante! Esse bronze é teu!!!! Esse bronze é da Sogipa, do Rio Grande do Sul! Esse bronze é do Brasil!!!”, escreveu Derly para Cargnin após a confirmação da medalha por meio de um wazari, quando o oponente cai de lado ou é imobilizado por um período.

Expectativa

Moradores do bairro Rio Branco, em Canoas, os familiares de Daniel são muito próximos do atleta, sempre acompanharam de perto e incentivaram sua carreira como judoca Foto: PAULO PIRES/GES

“Daniel é um menino que tem muita habilidade, é um rapaz calmo, tranquilo, mas muito técnico e agressivo no tatame”, descreve o pai. Após concluir as etapas de faixas e se tornar faixa preta no judô, em 2017 foi campeão mundial pelo sub-21 e duas vezes vencedor do sul-americano em 2019 e 2020.

A expectativa para competir na Olimpíada era grande. O judoca tinha a qualificação necessária, sendo o 1º lugar do ranking na categoria, mas precisou enfrentar outros desafios antes de respirar aliviado com a contemplação para ir a Tóquio, no Japão. “Desde o início da pandemia me machuquei duas ou três vezes, não fui para o Mundial porque peguei Covid-19, e pensei que não estava dando certo. Eu me esforcei bastante, fiquei na casa da minha mãe, que me deu todo o suporte e no fim consegui ir e ainda levar uma medalha pra casa”, disse o judoca.

Ana Rita, a mãe, aliás, é lembrada como a pessoa que mais incentivou e batalhou para a realização do filho. “Ela é quem esteve com ele em tudo desde pequeno, nos piores e nos melhores momentos”, enfatiza Alécio. Além de agradecer inúmeras vezes à família, Cargnin, que tem mais um irmão, Jonas, também carrega no peito o símbolo japonês para a palavra família tatuado. “Somos muito apegados”, diz Luana.

Família tatuada, em japonês,no peito

"Daniel é um menino que tem muita habilidade, é um rapaz calmo, tranquilo, mas muito técnico e agressivo no tatame", descreve o pai. Após concluir as etapas de faixas e se tornar faixa preta no judô, em 2017 foi campeão mundial pelo sub-21 e duas vezes vencedor do sul-americano, em 2019 e 2020.

A expectativa para competir na Olimpíada era grande. O judoca tinha a qualificação necessária, sendo o 1.º lugar do ranking na categoria, mas precisou enfrentar outros desafios antes de respirar aliviado com a contemplação para ir a Tóquio, no Japão. "Desde o início da pandemia me machuquei duas ou três vezes, não fui para o Mundial porque peguei Covid-19, e pensei que não estava dando certo. Eu me esforcei bastante, fiquei na casa da minha mãe, que me deu todo o suporte e no fim consegui ir e ainda levar uma medalha pra casa", disse o judoca.

Ana Rita, a mãe, aliás, é lembrada como a pessoa que mais incentivou e batalhou para a realização do filho. "Ela é quem esteve com ele em tudo desde pequeno, nos piores e nos melhores momentos", enfatiza Alécio. Além de agradecer inúmeras vezes à família, Cargnin, que tem mais um irmão, Jonas, também carrega no peito o símbolo japonês para a palavra família tatuado. "Somos muito apegados", diz Luana.

Haja coração para acompanhar a luta de longe

Antes de chegar ao bronze, Cargnin venceu o egípcio Mohamed Abdelmawgoud e Denis Vieru, da Moldávia. Nas quartas de final, o judoca passou pelo líder do ranking mundial, o italiano Manuel Lombardo. O pódio foi conquistado sobre o atleta israelense Baruch Shmailov.

Acompanhando pela televisão, a família precisou segurar a emoção, mas na hora que perceberam a vitória foi difícil controlar.

"Tinha expectativa de ele vencer, mas não queria comemorar antes da hora. Quando ele entrou na terceira luta percebi a determinação. Ele estava decidido a ganhar. Foi uma alegria indescritível, coração de pai quase não aguenta", emociona-se Alécio, seguido de Luana: "Eu já sabia que ele ia ser vitorioso, ainda mandei mensagem falando isso antes da luta".

A namorada do atleta, a ginasta Julie Kim, também comemorou e homenageou o amado pelas redes sociais. "Essa medalha é o reflexo de todo teu esforço e dedicação! Você foi extraordinário e não digo só como atleta, mas como pessoa", escreveu ela.

Bom de bola

Afora o judô, Cargnin também adora jogar futebol. Por conta da rotina intensa com o judô, não tem muito tempo livre, mas sempre que consegue, gosta de voltar a Canoas e reunir os amigos da época do colégio para fazer um churrasco e bater uma bola.

Com as manas, é do mesmo jeito. Às vezes, os encontros demoram a acontecer, mas quando acontecem são inesquecíveis. “Quando a gente se reúne parece que somos crianças de novo”, diz Luana.

Apaixonado por animais, Carnin é “papai” de um cachorrinho da raça pug, o Dom e “maninho” do shihtzu Bento, que é da mãe. Durante a Olimpíada, Luana e Alessandra estão revezando para cuidar do pequeno Dom. “Adoramos estar juntos, ir ao cinema, levar os cachorros para passear, conversar, dar risadas e agora temos mais uma ótima lembrança para comemorar nossa vida como irmãos”, diz ela.

Além do judô, atleta também é bom de bola

Afora o judô, Cargnin também adora jogar futebol. Por conta dos treinos, não tem muito tempo livre, mas sempre que consegue, volta a Canoas e reúne os amigos da época do colégio para um churrasco e um bate-bola. Com as manas, é do mesmo jeito. Às vezes, os encontros demoram a acontecer, mas quando acontecem são inesquecíveis.

"Quando a gente se reúne parece que somos crianças de novo", diz Luana. Apaixonado por animais, Cargnin é "papai" de um cachorrinho da raça pug, o Dom, e "maninho" do shitzu Bento, que é da mãe.

Durante a Olimpíada, Luana e Alessandra cuidaram do pequeno Dom. "Adoramos estar juntos, conversar, dar risadas e agora temos mais uma ótima lembrança para comemorar nossa vida como irmãos", diz ela.

Sonhando acordado

Os gritos de comemoração ainda ecoam pelos corredores do prédio onde vivem a mãe e o irmão do nadador Fernando Scheffer, no bairro Marechal Rondon, em Canoas. Na última segunda-feira (26), o jovem atleta de 23 anos subiu ao pódio em sua primeira Olimpíada, em Tóquio, para receber a medalha de bronze por sua performance nos 200 metros livre e levou a família ao êxtase.

Scheffer com o bronze conquistado nas piscinas japonesas Foto: fotos Agência Efe

Com as fotos do filho mais novo nas mãos, Adriana Muhlberg não escondeu a emoção de falar sobre a vitória, que era esperada, mas ainda não parece real. “Ele começou a nadar porque o irmão nadava, era uma brincadeira. Na época, não imaginava que ele seria nadador profissional, muito menos que eu seria mãe de um atleta olímpico, mas estava escrito pra ser, porque é um dom dele”, destaca ela.

Registrando o melhor tempo da carreira, de 1min44s66, Scheffer também se tornou o novo recordista brasileiro e sul-americano da prova. Do Japão, agradeceu a família, amigos, treinadores, preparadores, fisioterapeutas, médicos, colegas e adversários e lembrou com carinho da primeira treinadora, a também canoense Ana Paula Brandão, responsável pelo início de sua preparação e que torce para que a conquista de Scheffer incentive maior apoio ao esporte em Canoas, no Rio Grande do Sul e no Brasil. “Quando comecei a trabalhar no Grêmio Náutico União, acabei levando comigo alguns talentos. E o Fernando e o Augusto fiz questão de pegar pela mão para levar aos treinos. A vitória veio no momento certo”, ressaltou.

Caracterizado como determinado e com uma vontade de sempre conseguir algo mais, Scheffer realizou em Tóquio um desejo antigo. Em 2016, não se classificou para a Olimpíada do Rio por milésimos e chegou a ficar decepcionado. Mas com incentivo da família e ciente do seu potencial, não desistiu. Em uma foto beijando a tão aguardada medalha, escreveu nas redes sociais “Eu já nem quero dormir, tô vivendo meu sonho”.

Primeira medalha foi aos 14 anos, pela Ulbra

Se pudessem falar, as paredes do apartamento 208 contariam muitas histórias. Caseiro e estudioso, foi ali onde passou horas estudando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Nadador desde pequeno, Scheffer nunca demonstrou muito interesse por outra profissão, mas chegada a época dos vestibulares, decidiu tentar Fisioterapia. "Ele chegou a cursar uns três meses da faculdade, mas percebeu que queria ter a natação como profissão", conta a mãe.

Afora os estudos e a natação, Scheffer era bem caseiro. Os hobbies na infância e adolescência, segundo a mãe, eram andar de bicicleta, jogar videogame e aproveitar os verões em São Lourenço, na casa da avó, onde já mostrava toda sua desenvoltura na água.

O sonho também passou pela Ulbra de Canoas. Estudante do Colégio Cristo Redentor, aos 14 anos participou da 19.a edição dos Jogos Luteranos e, com seu desempenho na piscina, garantiu a primeira colocação na natação masculina para a escola, à frente dos colégios de Porto Alegre, Argentina e Uruguai.

Sargento do Exército e filho de militar

Nascido no Hospital da Aeronáutica em Canoas, filho do suboficial aposentado da Força Aérea Brasileira (FAB) na cidade, Carlos Ricardo Scheffer, Fernando também é militar. Ele é 3.º sargento do Exército pelo programa Bolsa Atleta e deixou o pai todo orgulhoso. "Não esperava uma medalha já na primeira Olimpíada, assim como foi no Pan em 2019, quando ele bateu recorde e ganhou o ouro. Ambas foram surpresas, mas sempre soube que ele ia dar trabalho para os outros. Ver ele subir no pódio foi uma mistura de felicidade, choro, grito, muita emoção", enfatiza o Scheffer pai, que hoje vive no interior do RS.

Carinho por todos os lados

Mãe do nadador Fernando Scheffer, senhora Adriana Muhlberg Foto: Shállon Teobaldo/GES-ESPECIAL

Muito conhecido em Canoas, Scheffer é novamente a sensação da cidade. Por onde passa, Adriana recebe parabéns e elogios a respeito do filho. Chegando na casa dela, a reportagem presenciou uma vizinha parando para parabenizar a mãe do atleta, que agradeceu timidamente. As homenagens para o guri canoense que conquistou o mundo correm por todos os lados. A namorada, Bibi Cordeiro, também fez questão de registrar sua admiração. “Ele é merecedor de tudo isso que tá acontecendo e acreditem: ele tá apenas começando”, exaltou nas redes sociais com a foto do parceiro.

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