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Saúde mental para crianças e adolescentes

Rede de apoio é importante para detectar quando os pequenos e jovens estão em sofrimento

Por Raquel Kothe
Publicado em: 04.08.2022 às 03:00 Última atualização: 04.08.2022 às 09:31

Engana-se quem acredita que crianças e adolescentes não são atingidos por transtornos emocionais. Os profissionais da rede de educação, com a retomada das aulas presenciais pós-pandemia, têm percebido um acréscimo em síndromes de pânico, ansiedade e depressão. Em um primeiro momento, a escola procura orientar e apoiar esses estudantes com recursos humanos próprios. Os casos mais sérios são encaminhados ao CAPS IJ Arco-Íris - dedicado ao público infantojuvenil.

As relações afetivas e o convívio social na escola são importantes para o desenvolvimento saudável
As relações afetivas e o convívio social na escola são importantes para o desenvolvimento saudável Foto: PAULO PIRES/GES

De acordo com a coordenadora dos CAPS e do Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista (Certea), Hildegard Marlene Tietz Godinho, o CAPS IJ realizou 3.306 atendimentos no mês de julho. Apesar de ainda não ter um uma pesquisa, a experiência e sensibilidade é de que os casos entre crianças e adolescentes aumentaram bastante após a pandemia da Covid 19.

Hildegard explica que a intenção da gestão municipal é abrir, até o final do ano, um segundo CAPS para o público infantojuvenil. A unidade seria mais próxima à região do Guajuviras ou Niterói. Os CAPS atuam com as portas abertas. Isso significa que não é necessário o encaminhamento de uma outra área de saúde para ser atendido lá.

Acolhimento

Os interessados devem procurar o CAPS para avaliação caso a caso. Eles contam com equipe multidisciplinar com psiquiatria, psicologia, terapia ocupacional, enfermagem e agente social. "Assim como nas escolas, temos percebido um acréscimo de transtornos de ansiedades entre os adolescentes e até em crianças. Há um medo, uma dificuldade de voltar ao convívio social", explica.

O CAPS já atuava em parceria com várias secretarias, pois é necessária uma rede de atendimento. Com o aumento de casos entre estudantes, a parceria com a Educação se intensificou. "Usamos uma técnica chamada matriciamento. Na qual discutimos coletivamente com a rede as alternativas mais adequadas caso a caso", comenta.

A diretora da Emef Prefeito Edgar Fontoura, Heloisa Bezerra, e a orientadora educacional, Gabriela Colombo Silveira, contam que desde o retorno das aulas presenciais, há cerca de um ano, se observa mais crises de ansiedade e transtornos emocionais entre os alunos. "Vamos ajudando por aqui, conversando e em situações necessárias buscamos o apoio da Educação e do CAPS especializado", comentam.

"A gente ainda não sabe os efeitos desse período em que precisamos ficar longe do convívio social nas crianças. Até conosco. Também vários estudantes perderam familiares e precisaram conviver e se adaptar à nova situação", alerta a diretora.

Hildegard alerta que não se deve banalizar ou ignorar reações de crianças e adolescentes.

Importante perceber os sinais de alerta

Manter um diálogo permanente com os jovens e crianças é uma dica da coordenadora Hildegard. “A gente precisa conversar, perguntar ao filho o que está acontecendo. Não se deve ignorar. É necessário agir”, alerta. Não sair de casa. Não querer pegar sol. Irritação exagerada. Podem ser sinais de que o jovem está desenvolvendo algum transtorno emocional. A profissional destaca que as portas dos CAPS estão abertas para a população buscar orientação e ajuda. “As vezes é mais fácil falar, abrir a situação para um estranho”, justifica. Quando os jovens se cortam, se machucam, é para a dor física superar a emocional”, explica. “O importante é saber que tem saída, que tem tratamento e solução. E que a ajuda e o apoio estão disponíveis. Temos condições de atender e de buscar as melhores alternativas”, incentiva.

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