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Brasil ainda não atingiu cobertura vacinal de crianças e adolescentes

Desde 2015, Brasil não atinge meta estabelecida como segura para erradicar ou controlar doenças Reportagem: Débora Ertel

Mais uma vez o Brasil não está conseguindo alcançar a meta de vacinação entre crianças e adolescentes até 15 anos e, a cada dia, doenças que faziam parte do passado voltam a assombrar. Em outubro, o Ministério da Saúde (MS) lançou a campanha de multivacinação com o objetivo de atualizar a caderneta de vacinas desta faixa etária. Ocorre que um mês não foi suficiente para alcançar a meta de 95% de cobertura vacinal, estipulada como margem segura para garantir a proteção. Agora, os municípios têm até 30 de novembro para convencerem pais e responsáveis de levarem os menores até os postos para serem imunizados.

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Ao todo, o calendário prevê 14 tipos de vacinas até os 7 anos de idade e outras oito a partir desta faixa etária, sem contar as que ocorrem em campanhas específicas, como a da gripe e da Covid-19. Todas são gratuitas e estão disponíveis na rede pública de saúde. Mais de 2 milhões de pessoas no Estado fazem parte desse grupo de menores de 15 anos. No entanto, apenas 55% do público-alvo da campanha de multivacinação foi imunizado no mês passado.

Na região, o ritmo de vacinação está mais lento. Em Novo Hamburgo, 17.719 pessoas de zero a 15 anos receberam vacina até outubro de 2020. Para o mesmo período deste ano, 7.988 crianças e adolescentes, uma queda de quase 55%.

Em Campo Bom, menos de 40% compareceram para verificar a atualização da carteira em 2021. Das 953 pessoas entre 0 e 15 anos que foram aos postos de saúde, 402 estavam em situação de atraso vacinal, ou seja, 42%.

 

 
Rio Grande do Sul não alcança metas

Mas não é de hoje e nem foi somente a pandemia que reduziu os índices de vacinação. A Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde alerta que desde 2015 a cobertura vacinal no Brasil vem diminuindo. Dados da Secretaria Estadual da Saúde mostram que há pelo menos cinco anos a meta não é alcançada em dez tipos de imunização no Rio Grande do Sul. Justamente no período em que a criança está desenvolvendo sua imunidade.

Descrença na ciência, falta de compromisso dos pais e movimentos antivacinas são apontados como possíveis causas pelo cenário atual.

Mais do que teimosia, irresponsabilidade ou convicções pessoais, a falta de vacina representa um risco real para a saúde pública. A professora de Saúde Coletiva e Epidemiologia da Feevale, Solange Shama, ao ser questionada sobre as consequências de um esquema vacinal incompleto, responde a pergunta com um exemplo prático. Em 2016, o Brasil recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) o título de país livre do sarampo. Três anos depois, a doença voltou a fazer vítimas e o vírus se espalhou pelo território nacional, retirando a certificação antes conquistada.

A explicação para volta do sarampo está diretamente relacionada com a queda na cobertura. É a tríplice viral, aplicada em duas doses, que protege contra o sarampo, além da caxumba e da rubéola. No ano passado, 84,08% do público-alvo tomou a primeira dose no Rio Grande do Sul. Neste ano, até 21 de setembro, o índice era de 69,2%.

“Antes da vacina, as pessoas morriam de sarampo”, recorda. O mesmo acontecia com a poliomielite, popularmente chamada de paralisia infantil. “Quantas pessoas morreram ou ficaram com sérios problemas porque não existia a proteção contra a doença. Isso tudo mudou depois da vacina”, recorda. “Mesma coisa com a varíola, que matou horrores. Foi controlada quanto teve vacina”, salienta Solange.

 

 
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Livre da poliomielite, mas atento à circulação do vírus

Eliana Zagui sobreviveu a um surto de paralisia infantil
Eliana Zagui sobreviveu a um surto de paralisia infantil Foto: Reprodução

O último caso de poliomielite registrado nas Américas ocorreu no Peru em 1991 e o continente americano recebeu o Certificado de Eliminação do Poliovírus Selvagem em 1994. No Brasil, o último caso confirmado foi na Paraíba em 1989 e no Estado em 1983, em Santa Maria.

Mas o risco de reintrodução da doença existe porque o vírus permanece circulando em dois países do Oriente Médio, Paquistão e Afeganistão. Já no Rio Grande do Sul, desde 2017 não passa de 85% o público-alvo imunizado para paralisia infantil. Neste ano, até 21 de setembro, o índice era de 66,6%.

Eliana Zagui, de 47 anos, é a única sobrevivente do surto de poliomielite que ocorreu em 1976 no Brasil. Natural de São Paulo, ela morou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital das Clínicas (SP) durante 43 anos. Como consequência da doença, perdeu todos os movimentos do corpo e só movimenta a cabeça. Hoje, ela mora com o amigo, Lucas Negrini, que largou tudo para cuidar dela em uma casa que precisa ser adaptada.

Eliana aprendeu a pintar e escrever com a boca e até publicou um livro, Pulmão de Aço, onde relata a sua experiência de viver quatro décadas no ventilador mecânico. Pelas redes sociais, ela promove uma campanha para arrecadar fundos e adaptar a casa onde mora às suas necessidades. No site https://voaa.me/eliana-casa-vaquinha é possível saber mais sobre a ação. 

Contaminação de sarampo entre os gaúchos

Sobre a evolução de sarampo, o Ministério da Saúde informa que o vírus está em circulação nos estados de Alagoas, Amapá, Ceará, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo.

O Rio Grande do Sul não tinha circulação desde 1999, com casos isolados importados (vindos de outros países) em 2010 e 2011. Contudo, a partir de 2018, o Estado apresentou surtos da doença, com a confirmação de 185 casos, envolvendo 21 municípios, sem óbitos. No Brasil, neste mesmo período, foram mais de 39 mil casos, com 38 mortes. Neste ano, duas crianças morreram de sarampo no Amapá e há 576 casos confirmados no País.

O território gaúcho não tem casos confirmados da doença desde abril de 2020, o que não minimiza a situação de alerta sobre a possibilidade do vírus se espalhar novamente.

O sarampo é uma doença infecciosa que provoca manchas vermelhas agudas na pele, extremamente contagiosa, altamente transmissível e com o risco de evoluir, com complicações e óbitos. É ainda mais grave em crianças desnutridas e menores de um ano de idade.

Faltam campanhas de vacinação

Sobre as teorias divulgadas pelo movimento antivacina, que defende dentre outras coisas a imunidade natural, Solange questiona se vale a pena o risco e o sofrimento que esses pais expõem os seus filhos. “Eu tive sarampo e me lembro que foi nada bom. Por que vou fazer meu filho passar por isso se existe vacina para prevenir?” Conforme a profissional, as vacinas são sinônimo de vida, de longevidade e marcaram uma nova fase no desenvolvimento da humanidade.

Solange Shama, da Feevale
Solange Shama, da Feevale Foto: Feevale/Divulgação

De acordo com ela, o governo federal deveria investir mais em campanhas de educação sobre a importância de imunização. Solange critica que peças publicitárias são divulgadas nos meio de comunicação apenas em época de campanha e, mesmo assim, em quantidade inexpressiva. “Tem que divulgar massivamente a eficiência e importância de vacinar”, defende.

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