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De caminhão ou de triciclo, o plástico se transforma em renda em Canoas

Ação do projeto Bikeco é um dos diferenciais no município, com triciclos percorrendo a região central para fazer coleta seletiva

Grupo Sinos 360
Conteúdo produzido em parceria com Braskem

A coleta seletiva em Canoas tem uma peculiaridade. Além dos caminhões que trafegam diariamente pelos bairros e recolhem os resíduos a serem enviados às unidades de triagem, triciclos também percorrem a região central com essa finalidade. É uma ação do projeto Bikeco, no qual recicladores pedalam triciclos, com gaiolas de ferro acopladas, para coleta de materiais descartados, principalmente, junto ao comércio e aos condomínios. São 15 triciclos circulando nessa área e levando os resíduos até os pontos de transbordo para, posteriormente, serem coletados pelo caminhão. O Bikeco faz parte do programa Canoas sem Carroças, criado para coibir maus-tratos aos cavalos.

Em Canoas são quatro cooperativas com contrato firmado com a prefeitura: Coopcamate, Cooarlas, Renascer e Coopermag. Mais três estão se adequando para participar de um novo processo de contratação, como é o caso da Mãos Dadas, formada por ex-moradores da região da BR-448 e que faz a triagem de materiais doados pelas outras cooperativas.

São em torno de 170 trabalhadores nessas unidades e, de acordo com dados do mês de outubro da administração municipal, foram aproveitadas 205 toneladas de resíduos recicláveis no município. Desse total, 45 toneladas eram compostas por plástico, PET e embalagens do tipo Tetrapak.

Cidadania e protagonismo

Uma das cooperativas de reciclagem de Canoas, a Coopcamate está completando, em 2021, 35 anos de fundação. Com sede no bairro Mathias Velho, a instituição atua nos bairros Harmonia, São Luís, Rio Branco, Mathias Velho, Niterói, Mato Grande e Santo Operário. Em outubro, foram aproveitadas 34 toneladas de materiais, das quais aproximadamente 8 toneladas foram de plástico, Pet e Tetrapak. Os resíduos plásticos são os que geram maior renda para as cooperativas, pelo seu valor agregado e pelo volume.

Uma das cooperativadas é Maria Terezinha Pereira, de 56 anos, que transformou essa atividade no seu ganha-pão. Ela tem dois filhos que também são recicladores. Um é seu colega na Coopcamate e outro atua na Cooarlas. “Um dos meus filhos mora comigo e a nossa renda garante o sustento da casa”, informa. Maria está na cooperativa há 15 anos e se acostumou a trabalhar em várias etapas do processo de reciclagem. Assim como os demais recicladores, destaca a diferença que faz para o trabalho quando os moradores de Canoas separam os resíduos corretamente em suas casas e disponibilizam à coleta. “Isso facilita muito o dia a dia de quem depende deste trabalho para viver”, relata.

Essa consciência coletiva é muito necessária, reforça o presidente da cooperativa, Flávio Aguiar da Silva, também há 15 anos no ramo da reciclagem. Ele considera que, de um modo geral, a população colabora com o processo, especialmente os mais idosos. Mas comenta que é preciso haver mais investimentos em educação ambiental e entendimento sobre economia solidária. “Nós, trabalhadores das cooperativas, temos conhecimento e experiência, mas este ciclo só se completa com o apoio do poder público e da população.”

A Coopcamate conta com 62 pessoas trabalhando no sistema de coleta nos bairros e no projeto Bikeco. Da equipe fazem parte 16 imigrantes, vindos do Haiti e da Venezuela, acolhidos pela cooperativa. Todos os 62 recicladores são capacitados continuamente sobre diferentes temas, que contribuem para suas vidas pessoais e profissionais. “Eles aprendem sobre cooperativismo, economia solidária, gestão ambiental, plano de gerenciamento de resíduos e relações interpessoais”, informa Daiana Schwengber, da Apoena Socioambiental – empresa de assessoria técnica da Coopcamate.

Maria Terezinha Pereira (à frente na foto) fez da reciclagem seu trabalho
Maria Terezinha Pereira (à frente na foto) fez da reciclagem seu trabalho Foto: Divulgação

Reciclando Ideias

Foi para envolver mais pessoas na reflexão sobre a importância do descarte correto de resíduos e incentivar práticas sustentáveis que a Secretaria de Educação de Porto Alegre (SMED) convidou a Braskem e o Sindicato das Indústrias Plásticas do RS (Sinplast-RS), por meio da plataforma Repense, para apresentar, em outubro, o Reciclando Ideias. O evento mostrou como o descarte correto de resíduos e a separação de forma adequada podem gerar renda para trabalhadores em unidades de triagem gaúchas.

Reciclando Ideias
Reciclando Ideias Foto: Jerônimo Silvello

“Para separar é preciso dividir em três frações: os recicláveis, os orgânicos e os rejeitos, que são aqueles que colocamos na lixeira do banheiro, os contaminados. Depois, podemos ter duas lixeiras na cozinha. Uma para os restos de alimentos (orgânicos) e a outra para os recicláveis. Quando a gente mistura esses dois, um acaba contaminando o outro e eu não consigo fazer a reciclagem desses materiais”, destaca a engenheira ambiental, sanitarista e especialista em logística reversa e gestão de resíduos sólidos e diretora geral do Instituto Equilátero, Vanessa Falcão.

A iniciativa também abordou os mitos e verdades sobre o plástico e a importância de uma mudança de mentalidade através da economia circular, que também faz parte dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas 2021-2030, metas criadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O Reciclando Ideias aconteceu em três edições e todas estão disponíveis no Youtube da Smed

Saiba mais em: https://www.braskem.com.br/plasticotransformasuavida

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