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Notícias | Região TRADIÇÃO EM CANOAS

Onde o xis costela tem costela e o xis picanha tem picanha

Em meio à polêmica das gigantes do fast food, ABC mostra que em Canoas, cidade do xis, a conversa é outra

Por Felipe Uhr
Publicado em: 06.05.2022 às 20:35 Última atualização: 09.05.2022 às 09:02

Aqui a picanha e a costela são de verdade. Assim começa a conversa com Antonio Rapach, dono do xis mais famoso de Canoas, cidade que se intitula a capital do xis. Na lancheria, Rapach garante mais que o aroma: o lanche de costela vem com costela e, o de picanha, com picanha. Parece óbvio. Mas não é.

Carne é escolhida com cuidado e transformada em bife para fazer bonito na chapa
Carne é escolhida com cuidado e transformada em bife para fazer bonito na chapa Foto: FOTOS PAULO PIRES/GES

Depois da polêmica dos últimos dias envolvendo as mais famosas redes de fast food do mundo, McDonald's e Burger King, se faz necessário declinar o óbvio. A polêmica foi parar no Ministério da Justiça e até no Senado, em defesa do consumidor. As duas gigantes foram intimadas a se manifestar por não venderem aquilo que anunciavam no cardápio.

Os lanches McPicanha e Whopper Costela não eram feitos com os cortes de carne prometidos no próprio nome e, sim, saborizados. "Eu até estranhei quando vi que eles tinham esses lanches, achei que iam fazer concorrência", comenta Rapach.

Aos 62 anos, ele retornou à cozinha para vender seu peixe - ou seu bife. O xis costela, por exemplo, é sucesso há 12 anos no cardápio. "Na verdade, o pai nunca deixou de fazer xis. Ele tem uma chapa em casa, está sempre inventando", confidencia a filha Rachel. Em público, porém, Rapach destaca que não inventou nada: apenas faz o simples, como ensina aos funcionários.

Para o preparo do lanche em seus estabelecimentos, a carne é comprada diretamente no frigorífico e temperada apenas com sal. Sem qualquer grande segredo dos grandes chefs.

O janelão de costela chega e logo é desossado. A carte é moída e transformada em bife para estalar bonito na chapa, sempre quente. Já a picanha, vermelhinha e com gordura bem amarelinha, é cortada em pequenas tiras.

Os dois lanches são acompanhados pela maionese da casa, pão, queijo, ovo, milho, ervilha, tomate e alface. "É um xis simples", classifica o dono, que confidencia ter comido apenas uma vez "no tal de Méqui". "O meu xis não tem tempero artificial ou saborizante."

Apesar do sucesso das duas opções, o xis salada ainda é o mais pedido às segundas-feiras, porque quem compra um leva outro durante a semana. "É o mais tradicional e o mais barato também", explica. Rapach calcula vender por volta de mil lanches por dia. Antes da pandemia o número era maior, mas caiu pela metade. A boa notícia é que as coisas estão melhorando.

Ao ser perguntado por que Canoas é considerada a capital do xis, Rapach é enfático: "Aqui tem um xis em cada esquina, é um alimento prático", comenta o comerciante, que diz não degustar lanche de concorrentes. "Me preocupo em fazer um bom xis, sem grandes temperos, mas se digo que tem picanha e costela, tem que ter."

Segredo do lanche é a chapa com um bom pedaço de carne e um queijo para completar
Segredo do lanche é a chapa com um bom pedaço de carne e um queijo para completar Foto: PAULO PIRES/GES

 

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