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Notícias | Rio Grande do Sul Crítico

Em entrevista à Rádio ABC, ex-ministro da Saúde diz que o País não saiu da 1ª onda da Covid

Para ele, o Brasil, hoje, é um dos piores países do mundo em termos de desempenho e enfrentamento à pandemia

Por Jauri Belmonte
Publicado em: 15.06.2021 às 13:03

Ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão Foto: Divulgação / STF

O médico sanitarista e ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, 69 anos, participou do programa Redação NH da Rádio ABC, nesta terça-feira (15). Ele fez duras críticas à gestão presidencial na luta contra a pandemia de Covid-19. Para ele, o atraso na compra de vacinas levam o Brasil a uma situação dramática.

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Segundo ele, o País ainda enfrenta a primeira onda da pandemia. "Esse atraso na aquisição de imunizantes, bem como outros fatores de negacionismo, nos levam a uma situação dramática. Inclusive já falamos em terceira onda. Na verdade, não. Nós estamos ainda na primeira onda, não saímos dela".

Temporão, que liderou a pasta entre os anos de 2007 e 2011 no governo Lula, diz que o correto é dizer que o Brasil não saiu da primeira onda, pois a média de contágio e mortes se manteve elevada. "Os números não baixaram. Temos uma média móvel de 2 mil mortos diária. Isso tudo é muito triste. Poderíamos ter feito algo diferente".

Para ele, o Brasil, hoje, é um dos piores países do mundo em termos de desempenho e enfrentamento ao coronavírus. "Infelizmente, ao contrário de 2009, quando tivemos a H1N1, ou de 2015/2016, quando tivemos o Zika vírus, dessa vez não estamos enfrentando o problema com coesão e profissionalismo. É o momento de se trabalhar ao lado da saúde pública e da ciência, mas o que estamos assistindo desde o ano passado é uma ruptura desses conceitos básicos", disse.

 

Erros suscetíveis

O ex-ministro ainda pontuou a instabilidade do governo diante do Ministério da Saúde no início da pandemia. O que, para ele, foi um problema de dimensão da pandemia. "Não se enfrenta a Covid de forma instável. Sem liderança não se enfrenta uma situação assim. A liderança tem que partir do Ministério da Saúde e da presidência da República".

Ele lamentou também as demissões em sequência dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich em 2020 e a posterior indicação de Eduardo Pazuello para assumir a pasta. "Pazuello era despreparado para o cargo, assim como a sua equipe. É um desafio gigantesco. Então, com isso, você perde a inteligência sanitária".

 

 

 

A CPI da Covid no Senado tem se tornadoum espaço político, mostrando como esses erros aconteceram".

 

Contrariando a ciência

Temporão também criticou a postura de Jair Bolsonaro que, com frequência, minimiza as ações de prevenção contra a Covid-19. "O presidente tem se dedicado cotidianamente a menosprezar as medidas para conter a Covid. Questiona medidas de distanciamento e não usa máscaras, além de divulgar tratamentos que a ciência já determinou que não funciona", pondera. 

 

Poucos pontos positivos

Durante o enfrentamento à pandemia, o ex-ministro vê poucas situações positivas no que diz respeito à gestão. O primeiro ponto considerado positivo por ele é o empenho dos profissionais da saúde no combate à pandemia. "É uma atuação heróica desses trabalhadores. Inclusive, com várias centenas deles perdendo a luta para a própria Covid", salienta.

Para ele, outro ponto a ser elogiado é a importância do Sistema Único de Saúde (SUS). "É sim um fator a se comemorar em um país com tanta desigualdade estrutural".

E, por fim, o papel da ciência. "Ficou evidente o quanto a ciência tem nos ajudado para que nossa situação não fosse pior. Temos duas fábricas nacionais de vacina, que é o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e graças a elas uma parte da população já foi vacinada".

Índice 'ridículo'

Hoje, 11,2% dos brasileiros estão totalmente vacinados. Para Temporão, o índice é 'ridiculo'. "Poderíamos ter, hoje, cerca de 50% dos brasileiros vacinados se tivéssemos lá atrás adquirido vacinas".

Acerto zero

"Hoje, se você me perguntar o que o governo federal acertou, eu diria: nada. Foi uma postura de apostar no erro. Sequer temos uma campanha de comunicação diária, divulgando e orientando a população".

Dever de casa

"Muitos governadores e prefeitos, largados à própria sorte, fizeram um bom trabalho. Nem o presidente da República e o Ministério da Saúde deram assistência". 

Alto custo

"O custo de conseguirmos concluir a vacinação da população adulta contra a Covid-19, até o fim do ano, custará milhares de vidas. É o ponto que quero chamar mais a atenção".

 

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