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E agora, José?

Por Geraldine Alves dos Santos
Publicado em: 27.02.2021 às 03:00

A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você?

Escrevo esta coluna com duas sensações desagradáveis...

Primeiro, a decepção da bandeira preta que assola nossa cidade, nosso Estado e o Brasil.

Segunda por me sentir como um personagem de um desenho antigo que dizia várias vezes ao final do episódio "Eu te disse, eu te disse, eu te disse".

Em 2020, começamos o ano com muitas expectativas, como sempre fazemos. Não fizemos diferente em 2021. Naturalmente com um pé atrás. Mas com muita esperança. Temos vacinas, as aulas voltando... A alegria das crianças e adolescentes.

Confesso que fiquei muito ambivalente com toda essa alegria do retorno. Porque obviamente queria acreditar no retorno. Queria estar errada. Mas as notícias de outros países fechando as fronteiras principalmente para nós brasileiros e o comportamento das pessoas como se nada estivesse acontecendo me assustaram.

Pensei em alguns momentos: Em que mundo estou? Estou raciocinando errado ou as coisas realmente não vão dar certo? Em pouco tempo o resultado da flexibilização trouxe à tona muitos problemas que estamos vivenciando.

Confesso que a sensação é de frustração. Imagino que as pessoas que estão lendo esta coluna e abriram mão de muitas coisas durante um ano inteiro vão entender o meu sentimento.

Mas não temos como voltar atrás.... Está colocada a situação e agora para quem se cuidou e fez a sua parte basta a resignação e a manutenção de suas condutas.

Eu entendo o desespero e a necessidade das pessoas de retomarem suas vidas sociais. Mas a falta de controle e de cuidado está nos prejudicando muito. Está fazendo a economia parar, está impedindo o direito dos jovens de estudar presencialmente e a possibilidade de tratamentos e cirurgias.

Parece que a sensação de descomprometimento com o próximo que está ao lado ou do que está do outro lado do mundo está no ar.

O vírus não está do outro lado do mundo... ele está aqui entre nossas famílias. Países como o Canadá têm muitas regiões fechadas mesmo não tendo casos ou muito menos mortes. Exagero. Talvez até. Mas eles fazem isso por prevenção. Para evitar o sofrimento.

Aqui preferimos negar a situação. Para depois tentar remediar os danos. Pensar que máscara não funciona porque não gosto de usar. Não manter o distanciamento nos locais públicos, por mais que esteja escrito em todos os lugares porque eu acho uma bobagem. Não preciso tomar vacina porque os outros vão tomar. Ou se tomo vacina na primeira dose já estou protegido.

O EU está dominando e prejudicando a todos. E não é diferente de outros comportamentos que estamos habituados em nossa sociedade. Eu bebo porque quero. Eu ultrapasso a velocidade porque quero. E assim por diante.

O problema não é apenas o vírus. O problema é o olhar e o significado que cada um de nós deposita no vírus e na vida em sociedade.

 


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