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Opinião Análise

Por que vamos virar o jogo da pandemia no segundo semestre

Por Alexandre Aguiar
Publicado em: 02.05.2021 às 21:41

Você não vai precisar ler a coluna inteira para ter a resposta. Ela responde por vacina. No momento em que escrevo este artigo, na tela das agências internacionais está a notícia de que a taxa de positividade em Israel, onde 58% receberam a primeira dose e 55% a segunda, caiu a 0,1%.

Os números no Brasil, ao contrário, seguem estarrecedores com mais de 400 mil mortos e mais de duas mil mortes por dia, em média. Vamos, contudo, virar o jogo da pandemia, a despeito do presidente Jair Bolsonaro que segue sem se vacinar e abdica de liderar pelo exemplo.

A Fiocruz e o Instituto Butantan, instituições centenárias, protagonistas do nosso SUS universal, público e gratuito, referências mundiais no controle de doenças infecciosas, até agora responderam pelas quase 48 milhões de doses aplicadas.

A excelente notícia é que a vacinação tende a ter a partir de agora uma nova realidade - e muito melhor. No fim de semana, chegaram ao Brasil quase 4 milhões de doses do Covax Facility, o consórcio da ONU com apoio da Fundação Gates que o ex-chanceler Ernesto Araújo se recusava a integrar.

E vem muito mais. O Butantan tem todo o segundo lote de dezenas de milhões de doses a entregar após ter cumprido a primeira parte do contrato de 42 milhões de vacinas entre 17 de janeiro e 30 de abril (o atraso da segunda dose da Coronovac foi responsabilidade do Ministério da Saúde).

A Fiocruz, por sua vez, conseguiu aumentar a escala de produção. Já entregou 26,5 milhões de doses, sendo 19,7 milhões em abril. E ainda teve autorização para produzir vacinas com IFA (ingrediente farmacêutico ativo) nacional no segundo semestre, não mais dependendo de remessas do exterior.

E agora o fato novo: aos fluxos do Butantan e da Fiocruz vai se somar a vacina da Pfizer que, em janeiro, o Ministério da Saúde dizia ser “marqueteira”. É o imunizante que liquidou com a pandemia em Israel e derrubou os casos e mortes nos Estados Unidos mas que, segundo Bolsonaro, te transformaria em “jacaré”.

Serão 100 milhões de doses até setembro. A empresa promete cargas de milhões por semanas. São doses suficientes para um terço da população adulta ainda não vacinada e que vai alcançar a faixa da população economicamente ativa com o imunizante de maior eficácia do mercado.

E ainda há as 38 milhões de doses da Johnson & Johnson, que assim como a Pfizer já está liberada pela Anvisa. Com a vantagem de ser um imunizante de dose única, ou seja, os 38 milhões imunizam quatro vezes a população total do Rio Grande do Sul para se ter ideia.

Por falar em Rio Grande do Sul, somos o Estado com a melhor cobertura vacinal do País. Disparado! Até sábado, 19,89% da população com a primeira dose. Estão chegando 413 mil doses da Fiocruz e 32 mil da Pfizer. Em dias, um lote do Butantan completará a segunda dose de quem espera.

É muito factível que cheguemos no Estado ao meio deste ano (e faltam menos de 60 dias) com 40% a 50% da população vacinada numa projeção conservadora. E, olhando para o mundo, onde a marca de 50% já foi alcançada a realidade mudou completamente para muitíssimo melhor.

Enquanto isso, e para chegarmos sadios até o momento da vacina, cuidados nos hábitos: distanciamento, máscara (preferencialmente a PFF2), higienizar as mãos e, atenção para a recomendação pouco ouvida e crucial, ambientes bem ventilados. Com a vacina, vamos virar o jogo e vencer. Esperança e fé. A luz já brilha no horizonte. Vacine-se!


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