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Opinião Artigo

Tempo como capital

Por Geraldine Alves dos Santos
Publicado em: 05.06.2021 às 03:00

O tempo é o nosso maior bem. Ter tempo. Tempo de vida. Pouco pensamos sobre o tempo e o desperdiçamos com muita facilidade.

O tempo precisa ser utilizado com as atividades e as pessoas que realmente são importantes. Às vezes entendemos que perdemos tempo não fazendo nada. Um grande erro. Precisamos de tempo para não fazer nada. Precisamos de tempo para pensar. Precisamos de tempo até para sofrer.

Durante esse período de pandemia vi as pessoas abordarem o tempo de maneiras muito diferentes. O que mais me impressionou for ver as pessoas terem tempo para atividades que jamais tiveram antes com tanta dedicação.

Precisou uma pandemia de ordem mundial para as pessoas se darem conta que precisavam de mais calma em suas vidas e de mais tempo para as coisas simples. Longe da correria da vida cotidiana.

Tomara que todos nós tenhamos aprendido a dar um valor diferente para o tempo. Alguns dizem que perdemos uma boa parte de nossas vidas. Outros percebem que ganharam um bem muito maior que foi poder conviver mais com a família e com seu lar. E até mesmo aprender coisas novas. Outros aprenderam a dar o valor ao tempo, por terem se sentido muito próximos da morte.

Neste ponto chegamos ao conceito que é desenvolvido pela antropóloga Mirian Goldenberg: tempo como capital. Ela refere que muitas pessoas conferem ao corpo a posição de seu principal capital, mas ela defende que o nosso maior capital durante a vida e principalmente na velhice é o tempo.

Quando nos damos conta do tempo pelo qual passamos e do tempo que pretendemos aproveitar até a morte, nossa perspectiva de vida, de morte e principalmente de sentido de vida se modifica.

O tempo que foi vivido é muito importante, pois nos confere uma identidade, um lugar no mundo. Mas o tempo que ainda não veio nos confere a esperança e o desafio por tempos ainda melhores. O desafio de cuidarmos de nós e dos outros. O desafio de vivermos e aprendermos a largar as bobagens no tempo passado.

Precisamos levar para o tempo futuro as lembranças e as nostalgias, mas jamais o constante reviver das dores e das perdas. Elas já foram vividas, agora novas experiências precisam acontecer e elas só terão espaço se esvaziarmos nossa mente do que nos prende aos sofrimentos.

Obviamente nem tudo é fácil de esquecer, mas acumulamos muitas coisas pequenas. Assim como colocamos aquelas pequenas lembranças no fundo da gaveta e periodicamente fazemos uma limpeza, também precisamos esvaziar nossa mente.

Nossa mente funciona como nossas gavetas, precisamos tirar as lembranças para colocar novas. Assim as novas lembranças terão um espaço mais organizado e confortável para nos trazerem sensações agradáveis e de felicidade.

Aproveite seu tempo.

 


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br
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