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Opinião Artigo

100 anos de Edgar Morin

Por Geraldine Alves dos Santos
Publicado em: 03.07.2021 às 03:00

No dia 7 de julho de 1921 nascia um dos mais proeminentes pensadores da atualidade. Formado em Direito, História e Geografia. Melhor do que ninguém entende o que é sobreviver. Ele sobreviveu a guerras e pandemias. E às vésperas de seu centenário nos presenteia com lições sobre a pandemia. Na verdade, seu livro tem como foco a pandemia, mas elabora ideias que apenas seu olhar de 360o sobre a história e sobre a vida poderia proporcionar.

Aos 100 anos conseguimos olhar para trás e entender o que aconteceu. Mas ele não nos traz respostas prontas. Nos incita a pensarmos sobre as lições que ele mesmo retirou da vida. Ele aponta a importância de pensarmos e repensarmos o que fazemos com e pela natureza. Avalia os rumos que a economia está tomando. E alerta que quanto mais poder acumulamos, mais frágeis nos tornamos.

Neste ponto já paramos e sentamos para refletir... O que estamos fazendo? Obviamente a humanidade não tem a pretensão de acertar. Mas será que precisamos errar tanto? Enfim, nesta
sequência Morin, ao refletir sobre as lições da pandemia, demonstra o quanto a solidariedade pode ter sido um dos pontos mais emocionantes da nossa vivência. O quanto as pessoas se ajudaram, mesmo à distância. O quanto os profissionais da saúde arriscaram suas vidas pelos outros e os professores se reinventaram para continuar difundindo o conhecimento.

A sociedade aprendeu e está aprendendo muito com a pandemia. Ele comenta sobre o desafio existencial de uma nova relação com o tempo. Mudamos muitos padrões de nos relacionar com o tempo, com as pessoas, com as distâncias e até com nosso espaço de vida e trabalho. A correria foi trocada pela calma.

Apesar de tudo sabemos que o isolamento teve muitas fases. Para cada um de nós ela tomou uma faceta diferenciada. Para alguns o isolamento foi uma bênção para se reorganizar e dar uma parada no ritmo acelerado.

Para outros foi motivo de estresse elevado, chegando inclusive à sensação de pânico. Mas, no decorrer do tempo, tudo se recriou e novas formas de trabalho foram inventadas. Foi fácil? Não. Foi muito difícil para todos as áreas de atuação. E talvez a parte mais difícil seja o reencontro da humanidade com a perspectiva de uma vida normal. Livre de máscaras e de cuidados. Aos poucos, ao longo dos últimos meses, temos feito estas reaproximações.

Mas talvez a parte mais difícil para todos seja conseguir manter um distanciamento seguro, pois não temos claros nossos próprios limites e necessidades. Morin questiona se "deixaremos de querer ir mais depressa e mais longe".

Se soubermos o que realmente queremos, talvez... Mudamos nossas interações sociais, nossos deslocamentos, nossos hábitos de consumo. Descobrimos que conseguimos viver com muitas limitações. E esse olhar tem que se voltar para aqueles que estão ao nosso lado e que sempre tiveram essas limitações emocionalmente ou economicamente.

Neste sentido ele coloca que devemos fazer com que as novas solidariedades durem mesmo após a pandemia.

Permanece a dúvida se a pandemia de Covid-19 irá ainda nos fazer companhia com suas novas variantes, se novas pandemias virão ou se ela será esquecida e entrará para os livros de história como outras pandemias que regularmente, de século em século, assolam a humanidade. Assim como Morin nosso objetivo é eternizar este momento e suas lições em nossas produções para que nas próximas décadas possamos ensinar às novas gerações o valor da natureza, da solidariedade e de nossa existência humana.

 


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