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Opinião Artigo

O casamento entre Grêmio e Douglas Costa

Por Débora de Oliveira
Publicado em: 08.01.2022 às 03:00

Esse ano farei Bodas de Trigo. Eu casei em fevereiro de 2019 e se tem uma certeza que tenho nessa vida é que eu viveria aquele dia novamente um milhão de vezes.

Eu casaria com meu marido novamente na República Dominicana, no Copacabana Palace, nas bancas, no cachorro-quente da esquina, no xis que a gente tanto ama... Viver aquele dia de felicidade novamente seria uma bênção maravilhosa.

Talvez por isso eu entenda o Douglas Costa querer repetir os votos do civil e do Caribe em uma festa grandiosa para brindar com os amigos e familiares esse marco na vida dele.

Vejo comparações com a Gretchen, com o Fábio Júnior, pessoas conhecidas por casarem várias vezes... Mas acho que não tem mal algum em validar bons sentimentos, se é isso que faz a pessoa feliz. Pior é quem vive uma única celebração e se obriga a compartilhar a indiferença de sentimentos por conta dos julgamentos alheios, caso não seja mais junto que cada um deseje estar.

O que julgo não é o casamento do Douglas Costa com a esposa. Feliz dele que tem dinheiro para comemorar o máximo de vezes que der. O que não compreendo é o casamento dele com o Grêmio, um clube que ele conhece bem o partidão que é, que o jogador fez de tudo para voltar se dizendo apaixonado, onde recebeu honras de príncipe encantado dos gramados, e na primeira visita conquistou a família tricolor toda.

Mas aí veio a bola rolando e a paixão não durou a ponto de validar o romance. O que se viu foi um relacionamento frio, com um distanciamento e falta de interesse, escapadinhas para viver a pseudo-solteirice profissional sem avisar o outro lado da história, e principalmente o que se exige de uma relação até quando ela não é mais aquilo que as partes esperam: o respeito.

E não conseguimos vislumbrar a partir das notícias e manifestações do atleta, que segue colocando a vida pessoal como prioridade em detrimento do compromisso que tem firmado com o clube.

Falo isso porque nas pesquisas feitas sobre a permanência dele, mesmo com os gestos de tchauzinho para a arquibancada no final do brasileiro, com a festa pós rebaixamento, mesmo pela falta de efetividade nos gols, e com o comportamento extracampo relacionado aos compromissos particulares... o torcedor votou a favor da permanência dele. Deu aval como alguém importante para um ano que vai exigir ainda mais comprometimento e pessoas abnegadas em reescrever a história do clube.

Mas aí a primeira ação do jogador é ter uma festa nos dias iniciais de pré-temporada, de novo causando constrangimento e chacota com duas situações que considero de suma importância: o casamento e o engajamento. Será que não tem uma pessoa próxima sequer para construir a imagem profissional de um atleta de tamanho reconhecimento? Ninguém para evitar o desgaste do posicionamento dele diante de algo que lhe garante a fartura, o luxo e o reconhecimento? Se não querem se preocupar com o Grêmio, que ao menos se preocupem com o produto que têm em mãos: uma carreira com visibilidade.

Uma história vivida jamais terá fim, mesmo que cada um siga seu caminho, aquilo que foi compartilhado não se apaga. Talvez por isso eu preze tanto pelo casamento além do casamento: o que fica depois da festa. Que Douglas Costa consiga ao menos chegar, antes de festejar.


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br
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